Fusões e aquisições no setor de saúde crescem 37% no Brasil e mudam gestão de clínicas e hospitais

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Levantamento da KPMG mostra aceleração das operações entre hospitais e laboratórios, movimento que já afeta a rotina de clínicas de menor porte

O setor de saúde brasileiro atravessa um novo ciclo de consolidação, com o número de fusões e aquisições entre hospitais e laboratórios de análises clínicas crescendo de forma expressiva nos últimos anos. Levantamento trimestral realizado pela consultoria KPMG identificou 22 operações do tipo entre janeiro e setembro de 2025, o que representa alta de aproximadamente 37% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando haviam sido fechados 16 negócios. Do total de operações mais recentes, cinco contaram com participação de fundos de investimento em private equity e venture capital, evidenciando o interesse crescente do mercado financeiro pelo setor da saúde. Para gestores de clínicas médicas, entender esse movimento deixou de ser uma curiosidade de mercado e passou a ser uma questão estratégica direta.

Por que o setor de saúde virou alvo de investidores

A busca por maior eficiência operacional, redução de custos e fortalecimento da competitividade explica boa parte do apetite por consolidação observado no setor nos últimos anos. Com mais de 4.200 hospitais privados e cerca de 700 operadoras de planos de saúde espalhados pelo país, o mercado brasileiro é historicamente fragmentado, o que abre espaço para que grandes grupos consolidadores ganhem escala rapidamente por meio de aquisições. Especialistas em fusões e aquisições do setor apontam que esse cenário de fragmentação, somado ao acesso facilitado a capital por parte de grandes players, tende a manter o ritmo de operações elevado nos próximos trimestres.

Um exemplo relevante desse movimento é a joint venture formada entre Dasa e Amil, que reuniu 25 hospitais e mais de 4.400 leitos sob uma estrutura combinada com receita líquida próxima de dez bilhões de reais. A operação foi interpretada pelo mercado como parte de um novo ciclo de consolidação, diferente daquele observado até 2021, quando a corrida por escala e expansão via fusões horizontais e aberturas de capital predominava. O ciclo atual, iniciado entre 2024 e 2025, tem sido descrito por analistas do setor como mais voltado à integração inteligente entre operadoras, hospitais, laboratórios e startups de saúde digital.

Dados de fusões e aquisições em outros setores da economia mostram um comportamento distinto: enquanto o volume geral de operações no Brasil caiu cerca de 2,6% no período analisado, as transações envolvendo fundos de private equity e venture capital cresceram mais de 13%, com a saúde se destacando como um dos setores que mais atraem esse tipo de capital. Isso reforça a percepção de que investidores enxergam no setor médico brasileiro um espaço ainda pouco explorado em termos de consolidação, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

O impacto direto para clínicas de pequeno e médio porte

Para donos de clínicas e consultórios menores, a onda de consolidação representa tanto risco quanto oportunidade. Consultores especializados em fusões no setor de saúde recomendam que gestores de clínicas independentes se preparem para eventuais abordagens de grandes grupos consolidadores, avaliando com cuidado propostas de venda ou parceria antes de tomar qualquer decisão. A orientação recorrente entre especialistas é que, caso a fusão não esteja nos planos do gestor, a diferenciação por meio de atendimento especializado e experiência do paciente se torne o principal ativo competitivo diante de concorrentes maiores.

A região Sudeste segue como o principal centro dessas operações, com destaque para São Paulo e Minas Gerais. Segundo especialistas que acompanham o mercado, a fragmentação ainda elevada nesses estados, combinada com maior concentração de empresas voltadas a planos coletivos e facilidade de acesso a investimentos, torna a região especialmente atrativa para grandes grupos em expansão. O movimento também tem levado sistemas cooperativos tradicionais, como o Sistema Unimed, a reavaliar suas estratégias diante da entrada de novos concorrentes consolidados.

Outro efeito relevante da onda de fusões é o desafio tecnológico enfrentado pelas instituições resultantes desses processos. Especialistas em gestão de dados em saúde apontam que o crescimento acelerado de grandes grupos hospitalares frequentemente resulta em sistemas herdados que não conversam entre si, dificultando a integração de prontuários eletrônicos, plataformas laboratoriais e sistemas de imagem. Isso pode comprometer tanto a eficiência operacional quanto a qualidade assistencial, exigindo investimento adicional em modernização tecnológica logo após a conclusão das operações.

O que esperar para os próximos ciclos de consolidação

Analistas do mercado de saúde avaliam que o movimento de fusões não deve desacelerar no curto prazo, mas sim mudar de formato. Em vez de operações voltadas puramente à conquista de escala, o setor caminha para transações mais seletivas, com foco em sinergias operacionais, governança mais estruturada e maior vigilância regulatória sobre os efeitos da consolidação para o paciente final. Um estudo conduzido pela consultoria EY avaliou justamente se esse processo tem, de fato, gerado valor para beneficiários e stakeholders, considerando indicadores como qualidade da atenção à saúde, experiência do beneficiário e custo assistencial por paciente.

Os resultados desse estudo mostram um cenário misto, com avanços em alguns indicadores e desafios em outros, sugerindo que a consolidação ainda precisa de tempo para comprovar seu real impacto econômico e assistencial no país. Para profissionais e gestores da área médica, acompanhar de perto essas transações deixou de ser opcional, já que decisões tomadas por grandes grupos consolidadores tendem a afetar diretamente a rotina de trabalho, os modelos de remuneração e a própria estrutura de atendimento nas clínicas brasileiras nos próximos anos.

À medida que o setor de saúde brasileiro segue nesse processo de reorganização, entender os bastidores dessas operações se torna essencial para quem atua na gestão de grupos médicos. O movimento reforça que a saúde deixou de ser apenas um espaço de prática clínica e passou a operar, cada vez mais, sob a lógica de um mercado altamente disputado por capital e escala.

Fontes consultadas:
https://www.saudebusiness.com/mercado-da-saude/estudo-mostra-alta-de-37-em-fusoes-e-aquisicoes-na-saude/
https://www.saudebusiness.com/colunistas/a-retomada-das-fusoes-e-aquisicoes-no-setor-de-saude/
https://www.ey.com/pt_br/industries/health/strategy-consulting/os-impactos-das-fusoes-e-aquisicoes-no-setor-de-saude-suplementar

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