SUS vai oferecer três novos medicamentos contra câncer de pulmão a partir de outubro

Sarah Hartmere
6 Min de leitura

Brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe integram pacote de 23 remédios oncológicos de alto custo que passam a ser financiados integralmente pelo governo federal

O Ministério da Saúde vai disponibilizar três novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer de pulmão: brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe. Os remédios, alguns deles com mais de 12 anos de espera, serão financiados integralmente pelo governo federal a partir da implementação da AF-Onco, a nova Assistência Farmacêutica Oncológica. Ao todo, cerca de 1,9 mil pacientes serão beneficiados. sus vai ofertar tres novos medicamentos para o tratamento de cancer de pulmao +2

Como funcionam os novos tratamentos

O brigatinibe e o gefitinibe são duas terapias-alvo orais que atuam diretamente sobre alterações específicas das células cancerígenas. Uma vantagem prática é que a administração pode ser feita na própria casa do paciente, com menor incidência de eventos adversos em comparação aos esquemas convencionais de quimioterapia, segundo destacou o próprio Ministério da Saúde. Juntos, os dois medicamentos custam mais de R$ 604,2 mil por ano na rede privada. SUS vai ofertar três novos medicamentos – 01/09/2026 | Diário do Grande ABC +2

Já o durvalumabe é uma imunoterapia que estimula ou potencializa a capacidade do sistema imunológico de combater os tumores cancerígenos, indicada para pacientes com câncer de pulmão em estágio III que não podem ser tratados com cirurgia. O tratamento demonstra ganhos na sobrevida global dos pacientes e, na rede privada, pode custar mais de R$ 643 mil por ano. Diário do Grande ABCDiário do Grande ABC

Pacote amplia em 35% a oferta de remédios oncológicos

Por meio da AF-Onco, serão ofertados 23 medicamentos oncológicos de alto custo, ampliando em 35% a oferta de tratamentos na rede pública e contemplando novas tecnologias e a expansão de indicações de uso. A estimativa do governo federal é de que mais de 100 mil pessoas sejam contempladas pela política, com orçamento anual estimado em R$ 2,1 bilhões, financiado pela União. Diário do Grande ABCDiário do Grande ABC

A forma de aquisição varia conforme o medicamento. O brigatinibe será comprado de maneira centralizada pelo Ministério da Saúde, enquanto o gefitinibe ficará sob responsabilidade de hospitais e gestores locais, com recursos federais repassados por meio da Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade. Já para o durvalumabe haverá negociação nacional de preço, com execução descentralizada de acordo com a demanda das unidades habilitadas. jornalopcaojornalopcao

Uma resposta a mais de uma década de espera

Para associações de pacientes oncológicos, a incorporação representa o fim de uma longa espera por tratamentos já consolidados internacionalmente, mas que ainda não chegavam à rede pública brasileira em escala nacional. A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, afirmou que o Ministério está em diálogo contínuo com a indústria farmacêutica para viabilizar, da forma mais ágil possível, a oferta desses medicamentos no SUS, destacando que a ampliação das opções de tratamento representa um avanço na assistência oncológica com potencial para salvar vidas. ebc

A previsão é de entrega gradual a partir de outubro, de acordo com as tratativas de aquisição com fornecedores e as características operacionais de cada tecnologia. Isso significa que a chegada dos medicamentos às unidades de saúde não será simultânea em todo o país, e sim organizada conforme a estrutura logística de cada estado. Diário do Grande ABC

O que muda na prática para o paciente

O câncer de pulmão segue entre os tipos de tumor com maior incidência e mortalidade no Brasil, e o diagnóstico costuma ocorrer em estágios já avançados, o que reforça a importância do acompanhamento médico regular e da investigação precoce de sintomas persistentes, como tosse prolongada e falta de ar. A elegibilidade para os novos tratamentos depende de características específicas do tumor, identificadas por meio de exames moleculares realizados junto ao oncologista responsável.

Pacientes em tratamento pelo SUS que tenham dúvidas sobre a disponibilidade dos novos medicamentos em sua região devem procurar a equipe médica que os acompanha ou a Secretaria de Saúde do seu estado, já que a incorporação segue cronograma próprio de cada unidade da federação. A medida se soma a outros investimentos recentes anunciados pelo governo federal para fortalecer a estrutura do Sistema Único de Saúde em todo o país.

Ao ampliar o acesso a terapias que antes ficavam restritas a quem podia arcar com custos elevados na rede privada, a política também levanta a discussão sobre a sustentabilidade orçamentária desse tipo de incorporação a longo prazo, tema que deve acompanhar o debate sobre financiamento da saúde pública nos próximos anos.

Fontes:

Compartilhe este artigo