O futuro das profissões no Brasil: Quais carreiras vão crescer, quais vão desaparecer e como se posicionar agora?

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Elias Assum Sabbag Junior

Como comenta o empresário Elias Assum Sabbag Junior, a inteligência artificial não veio para substituir trabalhadores. Veio para substituir tarefas, e essa diferença é fundamental para qualquer pessoa que está planejando os próximos dez anos da própria carreira. O problema é que a maioria das pessoas está fazendo a pergunta errada: em vez de perguntar se a profissão vai existir, deveriam perguntar como ela vai se transformar e o que será necessário para continuar sendo relevante dentro dessa transformação.

Se você está em início de carreira tentando escolher uma área de formação, ou em meio de carreira avaliando se precisa se reinventar, ou ainda em posição de liderança pensando em como preparar suas equipes para o que vem por aí, este conteúdo oferece um mapa analítico para navegar um cenário que é ao mesmo tempo desafiador e repleto de oportunidades para quem está disposto a olhar para ele com clareza.

Quais profissões estão mais vulneráveis à automação e por que a maioria das pessoas subestima esse risco?

Segundo Elias Assum Sabbag Junior, a automação de funções profissionais segue uma lógica bastante específica: ela começa pelas tarefas repetitivas, previsíveis e baseadas em regras claras, independentemente do nível de escolaridade ou prestígio social associado a essas tarefas. Isso significa que profissões de nível técnico e operacional com alto grau de padronização, como operadores de caixa, digitadores, analistas de dados rotineiros, revisores de texto e atendentes de call center, estão entre as mais vulneráveis. Mas essa vulnerabilidade também alcança funções de nível superior que envolvem análise de documentos, geração de relatórios padronizados e tomada de decisão baseada em protocolos fixos.

O erro mais comum é acreditar que diplomas ou experiência acumulada criam imunidade à automação. Não criam. O que cria imunidade é a capacidade de realizar funções que envolvem julgamento contextual complexo, criatividade aplicada, relacionamento interpessoal de alta qualidade e adaptação a situações genuinamente inéditas. Essas são as dimensões do trabalho humano que os sistemas de inteligência artificial ainda não conseguem replicar com consistência, e é nelas que qualquer estratégia de posicionamento profissional de longo prazo deve estar ancorada.

Elias Assum Sabbag Junior destaca que há ainda um fator que amplifica o risco de automação para muitos profissionais brasileiros: a baixa cultura de atualização contínua. Profissões que em outros países têm populações ativas em constante desenvolvimento de novas competências, no Brasil frequentemente têm profissionais que pararam de aprender ao receber o diploma. Em um mercado que está sendo redesenhado por tecnologias que evoluem em ciclos de dois a três anos, essa inércia não é apenas uma desvantagem competitiva: é um risco real de obsolescência em um horizonte de tempo mais curto do que a maioria imagina.

Elias Assum Sabbag Junior
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Quais áreas e competências têm maior potencial de crescimento no mercado de trabalho brasileiro nos próximos anos?

O mercado de trabalho que emerge da combinação entre envelhecimento populacional, transição energética, digitalização acelerada e expansão da classe média nas regiões emergentes do Brasil apresenta demandas muito específicas. Profissões ligadas à saúde preventiva e ao cuidado de pessoas idosas estão entre as de maior crescimento projetado, impulsionadas por uma demografia que está envelhecendo mais rápido do que o sistema de saúde está se preparando para atender. Da mesma forma, especialistas em segurança cibernética, analistas de dados com capacidade de interpretação contextual e profissionais de sustentabilidade e ESG têm demanda crescente em praticamente todos os setores da economia.

No Brasil especificamente, o potencial de crescimento de profissões ligadas ao agronegócio tecnológico, à bioeconomia amazônica e ao desenvolvimento de infraestrutura urbana em regiões emergentes é significativo e ainda pouco explorado. Engenheiros, gestores, tecnólogos e especialistas em logística que se posicionem nessas frentes têm acesso a mercados com baixa concorrência qualificada e alta demanda por profissionais capazes de operar em contextos complexos e geograficamente desafiadores. De acordo com Elias Assum Sabbag Junior, essas são as apostas de médio prazo com maior potencial de diferenciação para quem está disposto a sair do eixo convencional de carreira.

Como tomar decisões estratégicas de carreira agora para não ser surpreendido pelas mudanças que já estão em curso?

A primeira decisão estratégica que qualquer profissional deveria tomar é a auditoria honesta das próprias competências à luz do mercado que está emergindo. Isso significa identificar quais das suas funções atuais são altamente automatizáveis, quais dependem de julgamento humano genuíno e quais poderiam ser potencializadas pelo uso inteligente de ferramentas de inteligência artificial. Essa auditoria não precisa ser um processo angustiante: pode ser o ponto de partida para um plano de desenvolvimento que antecipa as mudanças em vez de reagir a elas quando já está mais difícil se adaptar.

A segunda decisão é sobre onde concentrar o investimento em desenvolvimento. Cursos técnicos têm prazo de validade cada vez menor em mercados que evoluem rapidamente. Competências de meta-aprendizado, ou seja, a capacidade de aprender novos campos com velocidade e profundidade, têm validade indefinida. Profissionais que investem em entender como aprender, em desenvolver raciocínio analítico e em construir redes de relacionamento diversificadas estão construindo ativos de carreira que se valorizam com o tempo, ao contrário das certificações técnicas que perdem relevância à medida que as tecnologias que ensinam se tornam obsoletas.

Por fim, conforme o empresário Elias Assum Sabbag Junior, a terceira decisão estratégica é sobre posicionamento de imagem profissional. Em um mercado em que a visibilidade é cada vez mais determinante para o acesso a oportunidades, profissionais que constroem presença digital relevante, que compartilham perspectivas analíticas sobre suas áreas de atuação e que cultivam reputação de forma deliberada têm acesso a redes e oportunidades que simplesmente não chegam aos que operam em invisibilidade. Essa não é uma recomendação para virar influencer: é uma orientação para usar os canais disponíveis para demonstrar competência de forma que as pessoas certas possam encontrar você antes que você precise ir atrás delas.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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