Subtipos do câncer de mama e o que a biópsia revela

Sarah Hartmere
5 Min de leitura
Vinicius Rodrigues

O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues aponta que o câncer de mama não deve ser visto como uma doença única, e a biópsia é o exame que mostra essa diferença. Além de confirmar o diagnóstico, a análise do material retirado identifica características do tumor que mudam o tratamento. A presença de receptores hormonais, encontrada em cerca de 70% dos casos, é um exemplo. Por isso, depois da confirmação, os laudos passam a trazer uma série de termos novos, e entender cada um deles ajuda a paciente a acompanhar as decisões da equipe médica. 

Como os subtipos são identificados

Depois que a biópsia confirma o câncer, o mesmo material é submetido a um exame chamado imuno-histoquímica. O teste usa substâncias que se ligam a proteínas específicas das células tumorais e revela quais estão presentes e em que intensidade.

Os principais marcadores avaliados são os receptores de estrogênio e de progesterona, a proteína HER2 e o Ki-67. Os resultados costumam ficar prontos alguns dias depois do laudo inicial da biópsia, e podem ser repetidos na peça cirúrgica. A combinação desses resultados define o subtipo do tumor, que orienta a escolha dos tratamentos e ajuda a estimar o comportamento da doença.

O que significam os receptores hormonais?

Os receptores de estrogênio e de progesterona indicam que o crescimento do tumor é estimulado por hormônios femininos. Tumores com receptores positivos podem ser tratados com terapia hormonal, medicamentos que bloqueiam a ação do estrogênio ou reduzem sua produção, geralmente por cinco anos ou mais.

Tumores com receptores positivos costumam ter evolução mais lenta e melhor prognóstico. Segundo Vinicius Rodrigues, a descoberta de receptores positivos abre uma opção de tratamento eficaz e bem tolerada, que reduz o risco de a doença voltar. Em mulheres na pré-menopausa, o tratamento pode incluir medicamentos que suspendem temporariamente a função dos ovários.

HER2 e as terapias dirigidas

O HER2 é uma proteína que estimula o crescimento celular. Em parte dos tumores, ela está presente em quantidade excessiva, o que torna o câncer mais agressivo. Quando o resultado da imuno-histoquímica é duvidoso, um teste genético complementar confirma se há alteração no gene.

Os tumores HER2-positivos ganharam um novo prognóstico com medicamentos dirigidos especificamente a essa proteína. Associadas à quimioterapia, essas terapias aumentaram de forma significativa as taxas de cura. Mais recentemente, tumores com expressão baixa de HER2 passaram a ter opções próprias de tratamento em situações avançadas.

Triplo-negativo e Ki-67

O câncer triplo-negativo não apresenta receptores hormonais nem excesso de HER2. É mais frequente em mulheres jovens e em portadoras de mutação no gene BRCA1, tende a crescer mais rápido e não responde à terapia hormonal. A quimioterapia é a base do tratamento, e a imunoterapia passou a ser associada em determinados casos de doença inicial ou avançada.

O Ki-67 indica a velocidade de multiplicação das células. Valores altos sugerem um tumor que cresce mais depressa, enquanto valores baixos indicam multiplicação mais lenta. Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o marcador ajuda a diferenciar subtipos semelhantes e a decidir, em alguns casos, se a quimioterapia é necessária.

Como os subtipos se combinam

Com base nesses marcadores, os tumores costumam ser agrupados em luminal A, com receptores positivos e crescimento lento; luminal B, também com receptores positivos, mas Ki-67 mais alto ou HER2 positivo; HER2-positivo; e triplo-negativo. Cada grupo tem tratamento e prognóstico próprios, e o subtipo pode ser reavaliado se a doença voltar, já que as características do tumor às vezes mudam.

Em alguns tumores com receptores positivos, testes genéticos do próprio tumor estimam o risco de recidiva e indicam se a quimioterapia trará benefício. Conforme explica Vinicius Rodrigues, conhecer o subtipo permite que o tratamento seja individualizado, evitando terapias desnecessárias e reforçando as que fazem diferença para cada paciente.

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