Wander Aguilera Almeida visualiza no baixo índice de armazenagem própria do Brasil um retrato de como essa decisão ainda pesa pouco no planejamento de muitos produtores. No país, apenas cerca de catorze por cento da capacidade de armazenagem de grãos fica dentro das propriedades rurais, um índice bem abaixo do que se vê em países como Estados Unidos, com sessenta e cinco por cento, e Canadá, com oitenta e cinco por cento da capacidade instalada. Leia o artigo completo para saber mais sobre o assunto!
O que muda com armazém próprio?
Ter silo na propriedade permite ao produtor colher e guardar o grão sem depender de fila em unidade receptora de terceiros, um problema recorrente justamente nos meses de pico da colheita, quando a demanda por recebimento dispara em toda a região produtora ao mesmo tempo.
Wander Aguilera Almeida destaca que essa autonomia existe a fim de dar ao produtor liberdade para escolher o momento de vender, em vez de ser obrigado a entregar tudo assim que a colheita termina, muitas vezes no pior momento de preço do ano inteiro, quando a oferta está no auge.
Pesquisas do setor já mostraram que produtores com armazém próprio conseguiram ganhos expressivos em boa parte das vendas, justamente por escolher o momento certo de negociar, em vez de vender sob pressão da colheita recém-concluída.
O que muda com armazenagem em terceiros?
Guardar o grão em cooperativa ou armazém contratado dispensa o investimento inicial em silo, equipamento de secagem e estrutura de recepção, aponta Wander Aguilera Almeida, custo que tende a pesar bastante no orçamento de quem está começando ou expandindo a produção. Para muitos produtores em início de atividade, essa é a alternativa mais viável nos primeiros anos de operação.
Essa opção também transfere parte da responsabilidade técnica para quem administra o armazém, já que a conservação do grão passa a ser gerida por uma equipe especializada, e não pelo próprio produtor. Isso reduz o risco de perda por armazenamento incorreto, um problema comum entre quem monta estrutura própria sem experiência prévia.

Em contrapartida, o produtor fica sujeito à fila de recebimento no pico da colheita e às tarifas cobradas pela armazenagem, custos que se acumulam quanto mais tempo o grão permanece guardado sob responsabilidade de terceiros. Essa espera na fila, em anos de safra recorde, pode se estender por dias e comprometer a qualidade do produto.
Por que o investimento em silo próprio ainda é baixo?
O déficit de armazenagem no país já ultrapassa cem milhões de toneladas, segundo levantamentos recentes do setor, e, para eliminá-lo, seriam necessários bilhões de reais em novos investimentos, detalha Wander Aguilera Almeida, o que ajuda a explicar por que a expansão avança devagar, mesmo com a produção crescendo ano após ano.
Historicamente, o produtor prioriza terra e maquinário antes de investir em armazenagem, deixando essa estrutura para um momento posterior que, na prática, muitas vezes nunca chega a acontecer de fato. Essa ordem de prioridades é comum em boa parte das propriedades, mesmo entre quem já reconhece a importância do silo.
O custo de construção de silo também subiu significativamente nos últimos anos, o que torna a decisão ainda mais difícil para quem já lida com margens apertadas em determinadas safras. Esse aumento de custo faz com que o retorno do investimento leve mais tempo para se pagar.
Uma decisão que vai além do espaço físico
Nenhuma das duas opções é sempre a certa: depende do volume produzido, da distância até armazéns disponíveis e da capacidade financeira do produtor naquele momento específico da propriedade e da safra em curso. Um pequeno produtor pode se beneficiar mais da armazenagem contratada, enquanto uma operação maior tende a justificar o investimento em estrutura própria, considerando o volume movimentado a cada safra.
Para Wander Aguilera Almeida, o essencial é que essa decisão seja tomada com antecedência e clareza, e não empurrada para depois da colheita, quando as opções já ficam bem mais limitadas e caras para qualquer produtor que precise decidir sob pressão.
