Comunicação em crise de tecnologia e os erros que ampliam o dano de uma falha

Sarah Hartmere
7 Min de leitura
Rolando Bonaccorsi

Quando um sistema crítico cai, quem avisa os consumidores, a diretoria e a própria equipe? Na leitura de Rolando Bonaccorsi, especialista em gestão de operações de TI e excelência em serviços, a resposta a essa pergunta costuma pesar tanto quanto o conserto técnico, porque uma falha mal comunicada cresce além do problema original. A comunicação durante uma crise de tecnologia é uma disciplina própria, com falhas recorrentes que se repetem de empresa para empresa e que podem ser evitadas com preparo antes do incidente.

Erro 1: tratar a comunicação como tarefa de depois

Em muitas operações de tecnologia, a equipe técnica concentra toda a atenção no diagnóstico e deixa o aviso para quando houver uma solução. O resultado é um silêncio de horas, no qual a área comercial, o atendimento e os usuários preenchem o vazio com suposições. No entendimento de Rolando Bonaccorsi, a comunicação precisa começar junto com a resposta ao incidente, ainda que a mensagem inicial apenas reconheça o problema e indique quando virá a próxima atualização.

Há uma comparação simples para isso: numa estrada interditada por um acidente, o motorista tolera a espera quando um painel informa o que houve e quanto tempo deve durar, e se irrita quando só encontra o trânsito parado. Com sistemas é igual. A informação parcial, dada cedo e com hora marcada para ser renovada, vale mais do que a informação completa que chega tarde. Por isso, em operações de tecnologia que dependem de sistemas críticos, um responsável pela comunicação é designado desde o início do incidente, liberando os engenheiros para o trabalho técnico.

Erro 2: falar a língua da equipe técnica com quem não é da equipe

Outro erro frequente é escrever o comunicado com termos que só quem opera o sistema entende. Expressões como degradação de serviço, falha em cascata ou perda de quórum no cluster dizem pouco ao gestor de uma área de negócio, que precisa saber o que deixou de funcionar, quem foi afetado e o que ele deve fazer enquanto isso. Um cluster é um conjunto de servidores que trabalham juntos para sustentar um mesmo serviço, e o quórum é o número mínimo deles que precisa estar funcionando para o conjunto continuar de pé, de modo que a perda de parte dos servidores pode derrubar tudo.

Como observa Rolando Bonaccorsi, a mensagem eficaz traduz o impacto para a realidade de quem a recebe: em vez de descrever o componente que falhou, informa que as vendas por determinado canal estão suspensas ou que o acesso a um relatório está lento. Cada público pede um nível de detalhe. A diretoria quer saber o efeito no negócio e o prazo provável. O atendimento precisa de um roteiro para responder ao consumidor final. A equipe técnica, por sua vez, troca informações detalhadas em um canal separado, sem misturar os dois fluxos.

Erro 3: prometer prazo que ninguém consegue garantir, e a leitura de Rolando Bonaccorsi

A pressão por uma resposta leva muita gente a anunciar uma volta em trinta minutos sem que haja base para isso. Quando o prazo estoura, a confiança cai duas vezes: pela falha em si e pela promessa quebrada. O mais seguro é comunicar o que já se sabe, o que ainda se investiga e quando será o próximo comunicado, mesmo que a notícia seja apenas que a investigação segue em andamento.

Segundo Rolando Bonaccorsi, essa postura exige maturidade da liderança, porque admitir incerteza diante de executivos ansiosos não é confortável. Ainda assim, a previsibilidade do ritmo de atualização, por exemplo um aviso a cada intervalo combinado, transmite controle melhor do que um prazo otimista. Um intervalo regular também protege a equipe técnica, que deixa de ser interrompida a cada minuto por pedidos de notícias, já que todos sabem quando virá a próxima.

Erro 4: esquecer de ensaiar antes da crise

O último erro é o mais silencioso: ninguém sabe quem fala, por qual canal e com que modelo de mensagem, porque nada disso foi combinado antes. Na hora do incidente, a improvisação toma o lugar do processo. Um plano de comunicação de crise define quem autoriza os avisos, quais canais são usados quando o sistema habitual está fora do ar (como e-mail corporativo ou aplicativo de mensagens) e quais modelos de texto já ficam prontos para serem ajustados.

Conforme detalha Rolando Bonaccorsi, o ensaio com simulações periódicas revela falhas que o papel não mostra, como a lista de contatos desatualizada ou o canal alternativo que depende do mesmo sistema que caiu. Depois da crise, a revisão do que foi comunicado também entra na análise do incidente: o que foi dito, quando, a quem, e o que gerou dúvida. O registro dessas respostas alimenta a melhoria dos modelos e reduz o improviso na próxima vez.

Um passo concreto para a próxima semana é reunir responsáveis de tecnologia, atendimento e diretoria e redigir, em conjunto, três modelos de comunicado para situações distintas de falha, cada um com o público, o canal e o responsável pelo envio já definidos. Em equipes que fazem esse exercício antes de qualquer falha, a primeira mensagem de uma crise deixa de ser escrita sob pressão e passa a ser apenas adaptada.

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