Como a PF combinou dados digitais e vestígios físicos para reconstruir caso em Passo Fundo

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A reconstrução de uma ocorrência policial pode depender da combinação entre vestígios encontrados no local, informações armazenadas em dispositivos eletrônicos e análises laboratoriais. Foi com essa abordagem que a Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a morte do delegado Michel Brasil Saliba, ocorrida em 2 de julho de 2026, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

Segundo a Polícia Federal, a apuração apontou a ocorrência de homicídio doloso qualificado contra o delegado e três tentativas de homicídio contra outros policiais que participavam da equipe. A corporação informou que os disparos fatais partiram da arma utilizada pelo investigado.

A conclusão do inquérito foi divulgada em 7 de outubro de 2026. Com o encerramento das diligências, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público Federal e ao Poder Judiciário. Essa etapa representa o fim da investigação policial apresentada pela PF, mas não equivale, por si só, a uma decisão judicial definitiva sobre responsabilidade criminal.

Perícia reuniu diferentes tipos de evidência

O trabalho descrito pela Polícia Federal envolveu exames no local da ocorrência, análise balística, testes de DNA e estudos de microvestígios. Esses procedimentos foram realizados em conjunto para avaliar a dinâmica dos disparos, relacionar materiais encontrados na cena aos envolvidos e verificar a compatibilidade entre os elementos coletados durante a apuração.

A análise balística teve papel central na conclusão divulgada pela corporação. De acordo com a PF, os exames indicaram que os disparos fatais foram realizados com a arma utilizada pelo investigado. A informação foi apresentada como parte do conjunto probatório produzido ao longo do inquérito, e não como resultado isolado de uma única diligência.

Também foram considerados depoimentos e imagens de câmeras de segurança. Registros visuais podem ajudar a organizar a sequência temporal dos acontecimentos, enquanto os relatos colhidos pelos investigadores contribuem para confrontar versões e esclarecer a participação de cada pessoa na ocorrência. No caso, esses dados foram analisados junto aos demais vestígios reunidos pela equipe.

Dados digitais ajudam a organizar a dinâmica dos fatos

Outro eixo da investigação foi a extração de dados de dispositivos eletrônicos. A perícia digital pode reunir informações armazenadas em celulares, computadores ou outros equipamentos apreendidos, sempre dentro dos procedimentos definidos para a investigação. Esses dados podem ser comparados com imagens, depoimentos e resultados laboratoriais para verificar a coerência entre diferentes fontes de informação.

Na apuração sobre a morte do delegado em Passo Fundo, a PF informou que houve extração e análise de dados de dispositivos eletrônicos, mas não detalhou publicamente, no material consultado, quais aparelhos foram examinados nem quais informações específicas foram encontradas. Por isso, a conclusão deve ser compreendida a partir do conjunto de técnicas anunciadas pela corporação, sem atribuir aos dados digitais resultados que não foram divulgados.

A integração entre perícia digital e exames físicos é relevante porque uma evidência pode oferecer contexto para a outra. Imagens podem ser comparadas com horários e informações eletrônicas; vestígios biológicos podem ser avaliados ao lado de depoimentos; e a balística pode ser confrontada com a posição dos envolvidos e os registros disponíveis. A função da análise integrada é reduzir contradições e dar mais precisão à reconstrução investigativa.

Próximos passos após o encerramento

Com o relatório concluído, o Ministério Público Federal e o Poder Judiciário passam a receber o material produzido pela Polícia Federal. A fonte oficial não informa, no conteúdo consultado, eventual denúncia, decisão judicial ou outro desdobramento posterior à remessa do inquérito. Assim, a situação divulgada permanece limitada à conclusão da investigação policial.

O caso evidencia como investigações de mortes ocorridas durante operações podem depender de diversas áreas da ciência forense. Exames no local, balística, DNA, microvestígios, imagens, depoimentos e dados digitais cumprem funções diferentes, mas podem ser avaliados de forma conjunta para esclarecer a sequência de uma ocorrência.

Ao divulgar o encerramento do inquérito, a Polícia Federal apresentou o resultado da apuração e os principais recursos utilizados para produzir as conclusões. A responsabilização definitiva, no entanto, depende das etapas seguintes conduzidas pelas instituições competentes, conforme a tramitação do caso no Ministério Público Federal e no Poder Judiciário.

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